Espiritismo e Psiquê




28 de fev de 2015

Viagem à Holanda Parte II


Queridos leitores, peço licença para este post que nada tem com espiritismo, mas estou cumprindo o prometido e escrevendo a continuação de um antigo post, Viagem à Holanda, que escrevi em 2012.

É incrível como a vida é algo inusitado, uma vez disseram ao meu marido a seguinte frase "a vida às vezes não é do jeito que a gente quer, mas pode ser melhor do que imaginamos", e foi assim que aconteceu.
A vontade de conhecer o velho mundo sempre foi algo latente aqui em casa. Assim que nos casamos, criamos a poupança "mochilão", quando acreditamos ter o dinheiro suficiente para viajar, tivemos que tomar uma decisão bem importante em nossas vidas: sair de São Paulo. Já fazia algum tempo que realmente não estávamos mais aguentando a falta de qualidade de vida, todo o dinheiro do "mochilão" foi para os gastos com a nossa mudança para Londrina.
Nossa mudança foi em 2009. Em 2012, nova mudança, desta vez Cuiabá, nosso salário era muito bom e logo pensamos novamente na nossa viagem. Tanto que escrevi um dos posts mais bonitos deste blog, Viagem à Holanda.
http://espiritismoepsique.blogspot.com.br/2012/08/viagem-holanda.html
 Porém, no mesmo ano decidimos retornar ao Paraná e nosso dinheiro novamente foi para a mudança. Trocamos de carro e também tivemos algumas intercorrências pessoais, e lá se foi nosso dinheiro novamente.
No final do ano de 2013, estava louca para viajar, viajar de verdade sabe... porque, nos últimos anos, nas férias, nós mudávamos. Quando não era de casa, era de cidade, tudo bem cansativo. Pensamos em janeiro em ir para o Uruguai (seria minha primeira viagem para fora do Brasil), mas o dinheiro não foi o suficiente. Então lembramos de um antigo desejo: conhecer as cidades históricas de Minas Gerais. E deu tudo certo! Foi o lugar mais lindo que já visitei no Brasil, gostaria muito de um dia morar em Ouro Preto, lugar fascinante.
No início de 2014, uma das escolas em que o meu marido dava aulas não conseguiu conciliar os horários dos professores antes do ano letivo começar. Com este problema, os horários disponíveis não se encaixaram (quebra-cabeça de horários em três escolas diferentes); por este motivo, ele acabou sendo dispensado. Quando chegou em casa à noite, me disse assim: se você quiser ir para a Europa é agora ou nunca! Como assim?? O valor do dinheiro recebido tinha sido mais alto do que ele pensava, e também nós já tínhamos outro dinheiro guardado na poupança, juntando tudo, acho que dava!!
Meu Deus!! acho que foi a primeira vez que tive a sensação de sonho realizado. E COMO É BOM SENTIR ISSO!!
As passagens estavam baratas (por causa da Copa do Mundo), Reservamos tudo por nossa conta pela internet, noites sem dormir, mas tudo valeu a pena, e, é claro: Holanda!!! Nosso roteiro foi o seguinte: França, Polônia, Alemanha e Holanda. Eu teria muitas coisas a escrever, tudo foi muito bom, me valeu bolhas enormes nos pés de tanto andar e lidar com o desconhecido. Sair da nossa zona de conforto é algo fascinante, assim como descobrir que o mundo é grande e que não sabemos literalmente nada, mesmo hoje tendo a internet. Tive  a sensação de que nada é impossível e de que a vida é curta demais!
Estou aqui pensando em como escrevi tanta coisa e ainda nem falei da Holanda. Poder de síntese, zero, como sempre!!
A Holanda foi nosso último destino..., chegar lá foi uma vitória, sobreviver a Paris e todos seus encantos (chorei literalmente no Louvre), ir para a Cracóvia e sentir coisas que sei que nunca mais em minha vida vou sentir, como em nossa visita ao Campo de Concentração de Auschiwittz, atravessar a Polônia rumo à Alemanha, Berlim, de ônibus foi inesquecível! oito horas de viagem em um pinga-pinga polônes (haja fé), posso dizer que Berlim ficou emocionalmente gravado em mim por várias razões... Mas vamos a Amsterdam!! Ficamos lá 7 dias.
Fomos de avião de Berlim para Amsterdam. Chegando lá, sim, é tudo como nas fotos, lindo de morrer, a cidade estava lotada de turistas, as bicicletas eram algo absurdo de se ver, mais bicicleta do que pessoas na cidade, e é necessário tomar cuidado, senão você pode ser atingido por uma a qualquer momento.
Nossa primeira surpresa, daquelas que dá até gosto de contar aqui (porque já virou causo de mochileiro), foi descobrir que nosso hotel, aquele pelo qual ficáramos bem alegres de encontrar - por ser barato e no centro da cidade-, na verdade era um hotel bar. Sim, ficamos literalmente hospedados no último andar de um bar (a vista era linda, pelo menos), não existia recepção, entramos no bar e ao mesmo tempo que o garçom servia cerveja para alguém, ia conversando sobre a nossa reserva. No fim de tudo, disse: toma cuidado para não se perder, vocês estão no bairro da luz vermelha...
O Leo ficou meio tenso, achando que aquilo que poderia ser uma espécie de bordel. Eu já estava  no ritmo - "está no inferno, abraça o diabo". Estava bem cansada, querendo uma cama para descansar apenas. E realmente o garçom tinha razão, poderíamos nos perder de várias formas naquele bairro onde tudo literalmente é permitido. Foi uma experiência inesquecível ficar hospedado ali e ver tudo que víramos durante o dia, à noite... mas a nossa droga era outra, a Arte!!
A cidade toda é bem calma para andar porque é plana, cheia de flores por todos os lados, e os holandeses são muito simpáticos sempre. Visitamos a casa, hoje museu, de Rembrant, um lugar lindo. Vimos onde ele vivia e como pensava, como fazia a sua arte, participamos de uma demonstração de como eram feitas suas gravuras. Também visitamos o Museu da Resistência Holandesa, que possui um acervo muito importante para a história da cidade de Amsterdam. Conta como os moradores (judeus e não judeus) durante a Segunda Guerra Mundial lutaram de todas as formas para que os nazistas não entrassem na cidade e, posteriormente. conta como o movimento acontecia na clandestinidade, isto ilustra o espírito liberal e resiliente da cidade.
Bom, dois lugares sobre os quais vou falar foram os mais esperados por mim, devido àquele antigo post do blog. Me refiro os museus da Anne Frank e do Van Gogh.
No dia do Museu da Anne, eu mal dormi, queria chegar bem cedo para não enfrentar filas enormes. Mas de nada adiantou, chegamos 30 minutos antes de abrir o museu e mesmo assim ficamos 1h10 na fila; mas tudo bem, afinal eram férias, pressa para quê?
Minha ansiedade também se dava porque estou escrevendo um livro que se baseia na história dela.
Quando entramos no museu, não eram permitidas fotos ou filmagens. Para minha sorte, levei meu caderninho de anotações e escrevi todas as minhas impressões, cada suspiro; foi tão forte que, quando  fechei o caderninho na lanchonete do museu, eu nunca mais o abri. Quero lê-lo novamente, em um momento especial, que para mim será quando for usá-lo em um capítulo deste livro que estou escrevendo.
Passar por aquela estante que escondia o famoso anexo me deu calafrios, o anexo é escuro e vazio (janelas sempre fechadas e sem móveis). Otto Frank, pai de Anne, o  manteve assim para representar o vazio que a guerra causou, tanto materialmente, quanto emocionalmente. Imaginar que ele foi o único sobrevivente das duas famílias que ali permaneceram escondidas por dois anos foi muito emocionante; aliás, há uma foto grande dele sozinho, no sótão, é bem forte, forte porque depois da guerra esse homem foi de extrema importância, não apenas pela sua história pessoal, mas também pela ajuda que proporcionou  a muitas pessoas, como no caso de alguns colegas de escola de Anne, que conseguiram sobreviver à guerra, porém, estavam perdidos e hospitalizados. Otto ajudou a localizar possíveis familiares vivos, além também de os visitar.
O anexo é bem menor que eu pensava. Anne narra sua vida com tamanha intensidade que acredito que eu aumentei o tamanho daquele anexo propositalmente na minha mente. Cada cômodo, cada parede, foi por mim perfeitamente analisado, tocado... foi muito emocionante, nunca vou esquecer! A minha única decepção foi não ver o Diário original. Existe ao final da visita uma réplica - o museu justifica a ausência do Diário devido à necessidade de sua preservação. Eu acredito que é para evitar possíveis ataques, pois o Diário é um documento histórico, talvez um dos mais famosos que existem. Foi como visitar o Louvre e não ver a Monalisa, enfim...
Na última sala do museu (parece um pequeno auditório), pode-se sentar e ouvir diversas personalidades do mundo falando sobre a importância do Diário de Anne Frank. Lembro-me do Mandela dizendo que o Diário era o livro mais lido por todos na cadeia em que permaneceu tantos anos, pois ambos os casos, o da Anne e o dele e de seus colegas eram o de presos políticos, presos em uma situação que não se sabia quando iria terminar, apesar de sempre haver esperança.
A visita ao anexo realmente foi inesquecível!
O outro museu tão esperado, o museu do Van Gogh, rendeu outro causo de mochileiro. Fomos procurar o museu e ficamos com dúvida se estávamos andando no caminho certo ou não, olhávamos no mapa (eu e Leo, meu marido), quando, de repente, surgiu, sim, surgiu uma figura um tanto estranha e fascinante. Um senhor, um andarilho de aproximadamente uns 60 anos nos perguntou se queríamos alguma ajuda, e aceitamos. O Leo começou a conversar com ele, e eu, sem entender muito o teor da conversa (meu inglês é péssimo), fiquei apenas olhando aquele ser peculiar... vou descrevê-lo: pele branca, cabelos brancos (mas parecia que já foram meio ruivos), barba branca e um par de olhos azuis ou seriam olhos de céu? hipnotizantes! Como quase todo andarilho, ele pediu uma ajuda financeira, e o Leo deu. Quando saímos novamente em busca do museu, para minha surpresa, meus pensamentos e o do Leo estavam afinados, olhamos um para o outro meio espantados e eu disse: ele parecia... o Leo: o Van Gogh! Uhhhh!! que assim seja, rimos muito!
O Leo me disse que ele não só explicara o caminho, como também informara sobre um lugar para comprar os ingressos fora do museu, assim não pegaríamos fila. E lá fomos nós. Andamos uns vinte minutos, passamos na frente de um museu maravilhoso, o Rijksmuseum, e, finalmente: Van Gogh.
Antes de chegarmos, começou a chover e sofremos um pouquinho, mas tudo valeu a pena!! Ver tantos quadros dele em poucas horas foi muiiito para nossa cabeça!! tudo organizado desde o início da carreira, até os últimos quadros.
Não sei o que dizer, é lindo, lindo, a energia de cada pincelada, energia psíquica, sabe... pinceladas grossas e precisas. As cores... e as cores? Meu Deus! Ficamos hipnotizados, sem querer ir embora. Visitar o museu com o Leo foi lindo, porque representou muito para nós, nossa história. Depois desses sete dias, para encerrar nosso mochilão, mais um presente, fomos embora no dia oito de julho, dia em que casamos, oito anos de união, e não ficamos tristes, acho que nunca mais em nossas vidas vamos passar por quatro países em um único dia: Holanda, Bélgica, França e Espanha (onde, no aeroporto de Madri, vimos o fatídico 7x1), para finalmente chegarmos ao Brasil.
Sempre adorei viajar, mas ir para lugares tão distantes, sem dominar a língua, como no caso da Polônia e Alemanha, foi um imenso desafio para nós. Não, o mundo não fala inglês!! E adoramos essa parte da história, tentar se virar, se comunicar olhando nos olhos, prestando atenção em que direção apontava a mão das pessoas, comer muuuiito mal porque não entedíamos o cardápio, foi uma experiência incrível.
A minha grande lição é que ser humano é HUMANO em qualquer lugar do mundo, encontramos pessoas rabugentas, divertidas, solidárias, sem noção, todos os tipos. A tentativa de qualquer tipo de estereotipização não vale a pena. Sair do nosso quadrado, dos nossos "controles" vale a pena, foi um intensivão de autoconhecimento.
E eu, como todo ser humano (ser humano brasileiro), ao voltar para casa, só pensava em comer arroz com feijão. Quantas saudades de um arrozinho e de ouvir português, me sentir "entre os meus", olhar para o lado e me reconhecer nos traços de um desconhecido, enfim, não ser a gringa da história...

Algumas fotos :)


 Eu sempre com cara de boba


 Pezinhos em frente ao Museu da Anne Frank


 Na fila do Museu da Anne, cara de boba novamente


 A fila matinal para o Museu da Anne


 Leo, com as compras








 Do outro lado do Canal




 Museu do Van Gogh, fotos dos quadros não são permitidas.


 Levamos uma bronca do segurança depois desta foto











 Lanchonete do Museu Van Gogh, pensa que delícia comer isso depois de tantos quadros lindos!


 Ruas de Amsterdam





 Em frente ao Museu Rembrant







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