Espiritismo e Psiquê




31 de out de 2012

Ian Stevenson





    Ouvi falar pela primeira vez do Dr. Ian Stevenson quando assisti ao filme “Minha vida em outra vida”. Para mim, o mais interessante no filme em si foi assistir os extras. Nele há diversas entrevistas com médicos espíritas falando sobre reencarnação, e como eles acreditam que, em pouco tempo, a própria existência do Espírito será comprovada cientificamente - é realmente muito interessante de assistir.
   Um dos depoimentos era da Dra. Marlene Nobre, que falava sobre as pesquisas de Ian Stevenson. Quando um espírita fala sobre reencarnação, geralmente (eu sinto) não é levado a sério, pois afinal nós acreditamos nisso, e as pessoas que não creem julgam que nós somos crentes por causa da Doutrina que escolhemos, porém não é só isso.
   Me lembro do primeiro curso que fiz em um Centro Espírita, tinha 14 anos e não sabia nada sobre Espiritismo, já que venho de formação católica. Me lembro claramente da primeira aula, o “professor” nos disse assim: “Não acreditem em nada em que vocês ouvirem aqui dentro (...) Espiritismo é ciência, filosofia e religião. Na parte religiosa aprenderemos os ensinamentos morais de Jesus Cristo, na ciência estudaremos sobre os fenômenos mediúnicos e a filosofia cada um de vocês vai ter que praticar em casa, filosofia é o ato de se questionar, será que tudo aquilo que vocês estudarão aqui faz sentido? faz sentido para você? Vocês terão que sempre se questionar sobre isso, é a fé raciocinada ...”
   Me lembro de ter ficado surpresa, como alguém fala uma coisa dessas? Para não acreditar naquilo que era dito? O efeito em mim foi bem positivo, afinal que adolescente que não gosta de se sentir livre? Perguntava tudo, lia tudo, devorava livros e até hoje sempre me lembro do que ele disse, como é importante nos questionarmos, aprendemos a ficar mais criteriosos.
   Bom, escrevi sobre isso justamente para dizer como é importante o trabalho que Ian Stevenson deixou para nós, não sendo espírita ou de qualquer outra religião espiritualista sua pesquisa ganha créditos entre os “incrédulos” e, como um bom cientista, ela não afirma a existência da reencarnação, ele considera “casos sugestivos de reencarnação”.
   Atualmente estou lendo seu livro: “Reencarnação, vinte casos”. O livro é muito interessante; ele estudou casos de crianças ao redor do mundo que acreditavam lembrar da existência passada. No início da década de 1960, visitou vários países investigando esses casos, dentre eles: Índia, Ceilão, Líbano, Alasca, dois casos no Brasil, entre outros. São casos realmente muito interessantes, alguns casos de reencarnação (do modo como ela teria ocorrido) eu nunca tinha ouvido falar, nem no Espiritismo, caso este que vou ter que estudar, confesso.
   No livro, ele explica toda sua metologia de trabalho, o que entendemos melhor em seus relatórios e tabelas sobre cada caso. Tive a sorte de este livro ser a 2ª edição, pois nessa edição ele acrescentou o que aconteceu com aquelas crianças, mais de 10 anos depois de sua visita.
   Algumas delas já não se lembravam de tantos detalhes dos quais falaram na primeira entrevista; outras passaram por momentos depressivos, pois não aceitavam sua atual vida (principalmente da Índia, por causa do sistema de castas), outros até já não estavam vivas, como foi um dos casos brasileiros, em que Paulo se suicidou, fato este também considerado por ele, já que na encarnação pretérita ele também morrera pelo suicídio.
   Os dois casos brasileiros por ele estudados ocorreram na mesma família. Eram, dois dos treze filhos de Francisco Valdomiro Lorenz, sendo este conhecido no meio espírita por seus estudos espiritualistas, por sua generosidade, humildade e trabalho incessante, o que lhe rendeu uma homenagem da Federação Espírita do Rio Grande do Sul quando desencarnou. Cabe ressaltar seu trabalho como esperantista, em 1976 o Instituto de Difusão Espírita lançou o livro: “O Esperanto como revelação”, livro este psicografado pelo médium Franscisco Cândido Xavier, ditado pelo espírito de Francisco Valdomiro Lorenz.
   Na minha opinião, a própria história dele merecia ser estudada. Como um homem que sabia mais de 80 línguas, só tinha 40 livros em casa? Enfim, não cabe aqui (infelizmente) descrever sua vida. Os casos de seus filhos foram estudados pelo Dr. Ian Stevenson. No entanto, tanto o cientista quanto Lorenz não se conheceram pessoalmente. Um dos filhos de Lorenz, de nome Valdomiro, foi quem se correspondeu com o médico. Porém, as anotações do pai sobre os casos dos dois irmãos de Valdomiro ajudaram muito no estudo dos casos.
    Estudar casos de reencarnação não foi fácil para o médico canadense, professor e diretor do Departamento de Psiquiatria na Universidade de Virgínia (E.U.A), pois seus colegas de profissão não viram com bons olhos seus estudos sobre paranormalidade, termo que, segundo ele, significa “comunicação sem os processos sensoriais geralmente reconhecidos” – ao qual também é possível se referir como “movimentos físicos sem o reconhecimento dos processos físicos”.
   Sua curiosidade sobre assuntos de paranormalidade veio da infância, sua mãe tinha diversos livros sobre religiões orientais e teosofia.
   “Meu treinamento em medicina tinha me dado algum entendimento sobre os métodos científicos e comecei a me questionar sobre as evidências de fenômenos extraordinários – ou fora do comum – relatados nos livros que havia lido. Não pareciam conclusivos, mas também não deviam ser menosprezados.”
   Durante sua vida, conheceu várias pessoas que acreditavam em seus estudos, um deles foi de extrema importância, tratava-se Chester F. Carlson, inventor da xerografia, que posteriomente criou a empresa Xerox. Ele também era cientista e durante oito anos fez doações para as pesquisas sobre paranormalidades. Graças a isso, Dr. Ian Stevenson conseguia fazer suas viagens de investigação.
   Em 1968, Chester Carlson faleceu, a falta de sua amizade foi sentida pelo médico, mas para sua grande surpresa, em testamento, Chester deixou 1 milhão de dólares para as pesquisas de fenômenos paranormais. Muitos curadores da Universidade foram contra essa doação, porém seu presidente na época (Edgar Shannon) usou uma frase de Thomas Jefferson, escrita em 1820, quando este estava envolvido na criação da Universidade, à qual se referiu da seguinte forma:
   “Esta instituição vai se basear na liberdade ilimitada da mente humana. Aqui, neste lugar, não temos nenhum medo de seguir a verdade onde quer que ela possa nos conduzir, tampouco iremos tolerar qualquer erro na medida em que a razão ficará livre para combatê-lo”.
   Edgar Shannon, com esta frase, fez com que finalmente a doação fosse aceita pela Universidade, o que ajudou muito o Dr. Ian Stevenson, que agora poderia se dedicar integralmente a seus estudos. Pouco tempo antes desta doação, ele se desligara do cargo de presidente do Departamento de Psiquiatria, negociando antes, entretanto, a criação de uma pequena divisão dentro do departamento, a divisão de Divisão de Estudos da Personalidade. Com o dinheiro aceito, ele pode contratar assistentes e continuar com suas viagens.
   Dr. Ian Stevenson também desenvolveu estudos sobre: marcas de nascença e deformidades de nascimento que aparecem com frequência em crianças que se lembram de vidas passadas, e também sobre comportamentos incomuns, originários de vidas passadas.
   Estas informações que escrevo são baseadas em um artigo escrito em 2006 pelo Dr. Ian Stevenson, meses antes de sua morte. Ele encerra esse artigo com a seguinte frase:
   “Que ninguém pense que eu sei a resposta. Eu ainda a estou procurando”.
   Fiquei emocionada com esta frase, em um mundo onde muitos se julgam “donos da verdade” se reconhece a humildade deste homem através de suas palavras. Que elas sirvam de exemplo para muitos cientistas.
   Dr. Ian Stevenson morreu em 8 de fevereiro de 2007. Em minhas reflexões eu realmente acredito que em pouco tempo a existência da Reencarnação e do Espírito será mesmo comprovada cientificamente, visto que vários cientistas atualmente se dedicam a isso. Haja vista os casos de obsessão que cada vez mais os médicos consideram o tratamento espiritual em conjunto com o tratamento alopático.
   Mas fico pensando... como o preconceito ainda é muito forte, por razões históricas, é claro, a ciência e a religião ainda se mostram de forma antagônica... mas quando será que “farão as pazes” ?? A Doutrina Espírita estuda os ditos fenômenos paranormais há mais de um século, e isto não é nenhuma novidade, será que daqui há algum tempo isso será reconhecido pela ciência?? Vejo muitas pessoas com tanto preconceito ainda sobre isso, é frustrante; não sei se é falta de conhecimento ou se é preconceito mesmo. Esta história de que “não acredito em vida após a morte, porque nunca ninguém voltou para contar”... o fato é que as pessoas, sejam elas encarnadas ou reencarnadas, estão voltando para contar há muito tempo...
  
Pequena Biografia
    “Nascido na cidade de Montreal, no Canadá, em 31 de maio de 1918, o psiquiatra e diretor dos Departamentos de Parapsicologia e Psiquiatria Comportamental – além do curso de Medicina na Universidade de Vírginia – Ian Stevenson sempre incluiu em suas pesquisas temas importantes, dentre os quais, um em especial: a reencarnação.
   A experiência de quase-morte (EQM), as aspirações ou visões no leito de morte, a problemática da relação entre mente e cérebro, assim como a permanência da personalidade pós-morte, são outros assuntos vinculados às pesquisas do autor.
   O professor Stevenson dedicou, com afinco, meio século de estudos debruçados sobre lembranças que crianças tinham de vida passada (o que chamamos de hipótese de sobrevivência da consciência após a morte). Segundo o renomado cientista e astrônomo americano Carl Sagan (1934-1996), este é um dos poucos estudos sobre o fenômeno paranormal que merece, efetivamente, ser analisado. (...)”
Fonte: Livro Reencarnação, vinte casos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário