Espiritismo e Psiquê




9 de fev de 2012

A Música

   
     É difícil imaginar nossa existência sem a presença da música. Se eu pudesse mudar a ordem das coisas já pré-estabelecidas, elevaria a música para o patamar de um dos sentidos do corpo humano, e por que não?
     Tive a oportunidade de fazer uma pós-graduação em Educação Especial e, durante o curso, além de aprendermos diversos tipos de deficiências e legislação, também aprendemos métodos para inclusão dessas pessoas. Alguns bem interessantes e desfiadores, como aqueles relacionados aos que sofrem de surdocegueira (como a estimável Hellen Keller, para aqueles que não a conhecem, assistam ao filme: O milagre de Anne Sulivan).
     A memória do ser humano pode ser exercitada através dos sentidos, visão, olfato, audição, tato e paladar. Quando um ou mais desses sentidos não são exercidos em sua plenitude, o corpo humano sempre acha um atalho e se adapta, para essa condição adversa. No caso da surdocegueira, ensina-se, através da vibração, é emociante ver vídeos que tratam desse método, desse instinto do ser.
     Para mim, a música também tem essa capacidade de nos ajudar, não só em nosso aprendizado formal, mas como uma poderosa terapia para as vicissitudes da vida.
     A criança aprende suas primeiras vogais com o auxílio da música, nossa mãe nos ninava com ela, ela embala nossos amores e nossas rebeldias. Aquele que não tem o dom para ela (como eu) não consegue por ela se expressar – álias isso deve ser maravilhoso - mas conhece, mesmo inconscientemente, seu poder terapêutico, porque dela precisa em diversos momentos.
     Há músicas que viram hinos de alegria – “deixa a vida me levar” – outros, de saudades – “vai meu irmão, pega esse avião” – outros, de fé – “me disseram, porém, que eu viesse aqui, pra pedir, em romaria e prece, paz aos desalentos”.
     Quando estava morando no Paraná, umas das grandes alegrias era ver um movimento espírita tão cantante. Às vezes, nós nos encontramos desanimados e vamos assistir a uma palestra, tomar um passe. E como nós somos responsáveis por mudarmos as nossas energias, sozinhos às vezes... o processo é lento. Mas como é bom ter um recurso que ativa as nossas energias interiores: a música. O palestrante nos ensina durante trinta minutos, mas uma música que toca nosso ser é capaz de nos transformar em apenas quatro minutos, é muito interessante.
     Diante das dificuldades da vida, como é bom contar com ela para nos auxiliar, como seria bom se houvesse mais músicas nos hospitais, em escolas (educação músical), casas de recuperação, asilos e em outros lugares. Me lembro das histórias dos escravos, que cantavam durante o dia seus lamentos, na colheita a música auxiliava a impor um ritmo de trabalho. Os escravos americanos, na contruções das ferrovias também cantavam e daí nasceu o blues, um ritmo melancólico que consegue chegar as nossas introspecções.
     A ideia de escrever sobre a música me veio, pois acabei de ler que São Francisco, segundo relatos, cantava muito, a música por ele cantada levava alegria aos leprosos e até aos seres da natureza.
     Por isso, caros leitores, digo que música é uma vibração poderosa, através da qual podemos fazer “ver” aquele que não enxerga e “ouvir” aquele que não consegue escutar. É muito bonito ver que Deus, em sua infinita misericórdia, pode nos “dar” um desses “sentidos”.


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