Espiritismo e Psiquê




28 de mar de 2010

Psique

“Foi o meu mestre – disse o prisioneiro. – Pensei que eu poderia, em riqueza e força, suplantar no mundo todo o mundo, e guardei no meu próprio cofre o dinheiro que devia a meu rei. Quando o sono me venceu, deitei-me no leito que era o do meu senhor, e quando despertei percebi que estava aprisionado no meu próprio cofre”.

“Prisioneiro, conta-me, quem foi que fundiu essa inquebrantável corrente?”

“Fui eu – disse o prisioneiro – quem forjou com todo cuidado esta corrente. Julguei que a minha força invencível poderia trazer cativo o mundo, deixando-me numa impertubável liberdade. Trabalhei para isso dia e noite com fogos enormes e cruas e tenazes marteladas. Terminada finalmente a tarefa, e quando os elos estavam completos e inquebrantáveis, percebi que me havia aprisionado na própria corrente”.

Trecho retirado do Livro Gitanjali (Prêmio Nobel de Literatura em 1913) de Rabindranath Tagore.

Passei há algum tempo por um período de transformação, de mudanças literalmente (mudei de estado). Assim como a lagarta permanece em sua crisálida e resurge borboleta, eu permaneço em minha crisálida (as cores das asas ainda não estão bem definidas!).

Em todo o processo de metamorfose há uma “perturbação” no sentido de que temos que nos renovar, aceitar o novo eu, que já não é mais aquele que foi, porém pode ser melhor, mais bonito. Isto não ocorre subitamente. Comigo, observo que está acontecendo há alguns anos.

Comecei a me dedicar a estudar Psicologia por fazer terapia e também por querer entender por mim mesma esse mecanismo interessante que é a nossa mente ou psique. Instrumento poderoso capaz de dar à “vida” ou à “morte”.

No dicionário Aurélio psique significa:

“Alma, o espírito, a mente.”
Para o Espiritismo alma é o espírito encarnado (pergunta n° 134 do Livro dos Espíritos) e para a ciência materialista a mente é fruto dos fenômenos bioquímicos que ocorrem no cérebro, extinto o cérebro, extinta a mente.


Em minhas reflexões, a visão espírita me completa, pois acredito que a psique somos nós, além do corpo, nosso eu verdadeiro.

Fico fascinada ao obsevar como a psique ou mente comanda meu corpo físico, minha aparência e até meu humor, ou seja, como meu eu profundo – psique – tem o “poder” para tantas realizações.

Lembro-me neste momento de Jesus quando diz “Vós sois deuses”. Se é complicado falar, entender a psique, penso o quanto ainda somos ignorantes a respeito de Jesus, sua mente e seus ensinamentos.

O primeiro livro que li do espírito de Joanna de Ângelis foi “Triunfo Pessoal”, peguei na biblioteca do centro espírita que frequento, estava desiludida com minha vida profissional e o título do livro me chamou a atenção. Sempre ouvi que seus livros eram difícieis de serem lidos, mas fui persistente, aliás é um livro que preciso reler quando tiver um conhecimento maior de alguns termos psicológicos. Este livro é o último da série psicológica, o que me fez querer ler todos os anteriores.

No livro em questão, há um item chamado “Insegurança Pessoal”, que elucida acerca do tema e propõe que seja feito uma análise honesta da sua realidade atual, sua conduta contemporânea e experiências possíveis de serem completadas. Segui a risca o que sugeria a autora espiritual e fiz as três tabelas, um para cada item correspondente. Confesso que foi difícil, tudo é mais difícil quando queremos ser “vítima” da própria história.

Passado algum tempo e lendo outros livros da mesma série, percebi que estava treinando, exercitando minha mente – psique – para uma mudança de padrão de comportamento. E cada vez mais que pratico tais exercícios, mais sinto o desejo de desvendar o que ainda não conheço.

Por isso quando li o trecho acima do Tagore, recorri à mente. Como nós nos autoiludimos, nos desconhecemos e nos prendemos a seus mecanismos. Sendo que a única saída é o autoconhecimento.















































“Prisioneiro, conta-me, quem foi que te prendeu?”

2 comentários:

  1. Atualizando informações: o livro Triunfo Pessoal já não é mais o último da série psicológica de Joanna de Ângelis.
    Ironia do destino... mudei de estado novamente e ainda estou em minha crisálida....

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